Robôs ‘colegas de trabalho’ podem ser realidade em 2026, apontam pesquisadores
Cley Medeiros 08/11/2025
A inteligência artificial (IA) está prestes a dar um salto quântico, evoluindo de uma ferramenta reativa para um “assistente inteligente” autônomo. A chamada “IA Agêntica” — capaz de definir metas, planejar e executar tarefas complexas com intervenção humana mínima — atingirá o mercado de consumo em massa já em 2026. A previsão é da pesquisa global “O Impacto da Tecnologia em 2026 e Além”, divulgada pelo Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos, IEEE, a maior organização técnico-profissional do mundo.
O estudo, que ouviu líderes de tecnologia no Brasil, China, Índia, Japão, Reino Unido e EUA, revela um cenário de rápida transformação. No Brasil, 60% dos líderes preveem essa adoção em massa da IA agêntica, e o otimismo se estende a robôs humanoides e ao impacto em setores-chave.
A conclusão é unânime: embora o Brasil esteja otimista e alinhado com as tendências globais, o país enfrenta uma corrida contra o tempo para superar gargalos críticos em infraestrutura e, principalmente, em educação, se quiser capitalizar sobre a revolução iminente.
IA deixa a tela e ganha o mundo físico
A mudança mais significativa identificada pela pesquisa destacada pelos especialistas é a transição da IA de uma interface digital para uma interação física e proativa.
“Estamos vendo que a inteligência artificial está passando de um museu […] para usos com uma interface mais física, uma interação com o mundo real,” destacou Juan Galindo, membro do IEEE e fundador da VITA Tecnologia para a vida.
Essa transição é corroborada pelos dados do IEEE, que apontam que a IA impactará fortemente tecnologias físicas. No Brasil, 56% dos entrevistados veem impacto na Robótica e 38% na Realidade Estendida (XR).
Galindo notou esses números, destacando a percepção sobre a ascensão de robôs humanoides. Segundo o estudo, 46% dos brasileiros concordam que eles podem se tornar “colegas de trabalho comuns” e 40% afirmam que sua empresa planeja implantá-los já em 2026.
Novo perfil: IA ‘Agêntica’
O motor dessa transformação é a IA Agêntica. Camilo Girardelli, membro do IEEE e arquiteto de software sênior com mais de 19 anos de experiência impulsionando a transformação digital por meio da IA Machine Learning, explica a diferença: “Hoje a gente vê muita coisa de inteligência artificial, mas ela é tradicional. Você dá o comando, ela responde. Ela é reativa. E com a IA agêntica ela passa a ser o contrário. […] Ela vem para resolver problemas.”
A pesquisa do IEEE confirma: 60% dos executivos brasileiros preveem a adoção em massa dessa tecnologia pelo consumidor em 2026, para usos como “personal shopper”, organizador de agenda e monitor de saúde.
Os especialistas expandem esse potencial. Juan Galindo vê aplicações em logística complexa, “desde o desejo do consumidor até a entrega final”, prevendo questões de alfândega e temperatura de perecíveis, além de mobilidade inteligente para gestão de trânsito e ambulâncias.
Vanessa Schramm, membro sênior do IEEE, professora do Departamento de Engenharia de Produção e do Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), exemplifica com o potencial de revolucionar compras públicas:
“Você desenvolver uma IA agêntica para processos licitatórios no Brasil”, permitindo decisões baseadas em qualidade técnica, e não apenas em preço.
Saúde e serviços na vanguarda do impacto
O estudo aponta os setores de Desenvolvimento de Software (60%), Bancos e Serviços Financeiros (48%), Mídia e Entretenimento (48%), Saúde (28%) e Educação (28%) como os que sofrerão maior mudança impulsionada pela IA no Brasil.
Suélia Fleury, professora e pesquisadora da Universidade de Brasília e pós-doutora pelo MIT (Massachussets Institute of Technology) atualmente atua como Sênior Lecturer na Cornell University, nos EUA, vê um potencial imenso no uso de Gêmeos Digitais, que 74% dos líderes brasileiros consideram muito importantes para 2026, segundo o IEEE.
“Os gêmeos digitais geram um resultado mais robusto”, afirma Suélia Fleury, explicando que simulações podem “minimizar ensaios clínicos e pré-clínicos com animais e seres humanos”, agilizando o desenvolvimento de dispositivos médicos e o diálogo com agências reguladoras como a Anvisa e a FDA (EUA).
Porém, ela faz um alerta crítico: “Hoje a gente não tem base instalada para dados, para ro-mdar IA e para uso de robótica dentro dos hospitais [de educação] por conta de estrutura.”
O otimismo do Brasil, que Camilo Girardi vê como “muito à frente de muitos países”, esbarra em dois m gargalos fundamentais.
Associação
O IEEE é o Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos, a maior associação profissional técnica do mundo, fundada nos Estados Unidos em 1963. É uma organização sem fins lucrativos que promove o avanço da ciência e tecnologia, especialmente nos campos da eletricidade, eletrônica, e áreas afins.
Reprodução: A Crítica



